Descrição

"One step at a time. One punch at a time. One round at a time." - Rocky Balboa

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Até 2017!

Meus caros, esta é, provavelmente, a última publicação de 2016. Vou explicar o porquê.


Antes, gostaria de registrar que, não obstante o tom pessimista que adotei no fim de 2015 em minha análise, este ano foi espetacular, ou melhor, foi o ano mais importante da minha vida, sob o aspecto pessoal.

Consegui realizar muitos sonhos, conforme antecipei, tanto materiais quanto imateriais, alcancei muitas metas e evoluí bastante espiritualmente.

Assim, quando já estava satisfeito com tudo o que aconteceu de positivo nos últimos meses - afinal, estamos nos aproximando do dia 20 de dezembro - eis que surgiu ainda uma boa oportunidade para alugar um outro apartamento, longe do Condomínio Planeta dos Macacos, onde minha família e eu moramos atualmente.

Dessa forma, tirei uma folga a partir de hoje, e vou emendá-la com as férias advocatícias (?!), para entregar a papelada toda necessária para a contratação, realizar a mudança e entregar a "jaula" onde, agora mesmo, estou aqui com os "chimpanzés" aos urros.

- Adeus, vizinhos!

Será o fim de mais uma tormenta nas nossas vidas. Aliás, 2016 marcou a solução de muitos outros problemas que estava enfrentando, inclusive alguns bem antigos. Com toda a certeza, encerro este ano com muita gratidão a Deus, não dá nem para elencar tudo o que aconteceu de bom em 2016.

No lado financeiro, tudo indica que a carteira ultrapassará os 300 mil até o fim do mês, com o auxílio dos aportes. Bem, esse é um assunto que merece ser tratado detalhadamente em janeiro, tão logo for instalada a Internet no novo lar, o que, todavia, deverá demorar um pouco. Por isso, a propósito, já me despeço, por ora.

Além disso, encerro o ano com muita saúde, haja vista que consegui prosseguir com os exercícios na academia, e cheguei ao meu peso ideal, algo que não acontecia desde 2011 ou 2012. Também engatei a quinta marcha nos estudos em 2016, muito embora estudei muito pouco até agora neste mês, em razão de algumas pendências. E, para quem acompanha, aviso desde já que em janeiro as histórias do escritório retornarão.

Por fim, antes que eu fique sem acesso à Internet, quero desejar a todos boas festas e um ótimo 2017!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fábricas de salsicha - parte 5 (200ª publicação)

Engana-se quem acha que esta é apenas a história de uma batalha jurídica.

Após a ofensa de Henrique no fim da audiência, fiz o que não poderia ter feito, como advogado, levei aquilo para o lado pessoal. Se queriam me amedrontar, ou fazer com que eu fugisse, erraram, erraram muito, porque jamais me empenhei e despendi tantos recursos para salvar um processo, à primeira vista, em direção ao naufrágio, como verão nas próximas partes.

O sangue subiu subitamente na cabeça, entrei no jogo e devolvi a ofensa a Henrique, só que, diferentemente dele, em alto e bom som. Todos me lançaram um olhar de repulsa, de imediato, até a senhora ao meu lado, funcionária da empresa que estava defendendo. Como fui ingênuo, caí diretamente na armadilha. Fique à vontade para me condenar também, eu mereço toda a reprovação possível, porque, naquela tarde, eu tombei, como um prédio implodido.

Tudo isso me deixou ainda mais nervoso. Na sequência, no auge da confusão, entrou em campo a turma do deixa-disso, e o burburinho se desfez aos poucos, como a fervura sem fogo. O que não passou foi a minha angústia. Saí do fórum com um gosto amargo, que não era, obviamente, de café.

Advogado não se envolve com o litígio, essa é uma lição que conhecia, mas ignorei. Não me contive, meus amigos, deveria ter continuado a vida, "bola pra frente". Porém, por anos a fio, ruminei aquela tarde, como fazem os mamíferos herbívoros com o alimento, é o que adianto nesta altura. De volta ao escritório, fui tratar do substabelecimento. Antes, tomei uma xícara de café para restabelecer, a xícara interrompida pela ligação.

Em razão da brecha, da pausa para o café, vou apensar algumas explicações jurídicas para melhor compreender o desenvolvimento dos fatos. Em juízo, a parte é usualmente representada por advogado com procuração (instrumento de mandato), um documento assinado pela parte, que nomeia e constitui o procurador, dando-lhe poderes para tanto, e que deve ser apresentada nos autos do processo. A Dra. Luzia - esse é o nome da colega, fictício - juntou uma procuração com os devidos poderes para representar a empresa, que, doravante, chamarei de Desalinho S/A.


Já o substabelecimento mencionado retransmitiu os poderes da procuração concedidos à Dra. Luzia a mim, para que, assim como a advogada, eu agisse no processo. O substabelecimento é feito com reserva ou sem reserva de poderes. O substabelecimento que recebi para ir à audiência era sem reserva, ou seja, a advogada que conduzia originariamente o processo renunciou ao mandato, não mais atuaria no processo.

O que aconteceu para que Dra. Luzia renunciasse? Ela não quis dizer. É claro que, mais tarde, descobri, e esse é uma assunto para ser tratado mais adiante. Por ora, vamos falar de salsicha. É, salsicha. Calma, que logo isso vai fazer sentido.

É atribuída a Otto von Bismarck a seguinte frase, que denota que tanto o processo legislativo, quanto o processo de produção desse alimento, a salsicha, são pouco nobres: "Leis são como salsichas; é melhor não saber como são feitas". As coisas evoluíram um pouco do tempo de Bismarck para cá, é verdade, com a exceção da produção de leis, que continua nojenta. Renan Calheiros e outros estão aí para corroborar o que digo.

"Prepare o seu estômago", avisei com a devida antecedência. Ainda hoje, na fabricação das salsichas em geral, utiliza-se as partes menos nobres da carne, após quase o completo aproveitamento da carcaça, seja de boi, frango ou porco: músculos e gorduras que sobraram, por exemplo, da cabeça e das patas dos animais, pele, vísceras, sangue e outros subprodutos comestíveis, tudo é triturado até se formar uma mistura uniforme. Há tantas bactérias nessa combinação, que é preciso pasteurizá-la.

Para finalizar o preparo da salsicha, são adicionados a essa mistura de aparas - para usar um eufemismo - outros ingredientes, como conservantes, condimentos, temperos e corantes. O sabor da salsicha não vem da mistura de carne e gordura, mas dos condimentos e temperos, as aparas são insossas. A coloração da salsicha, vermelhinha e vistosa para os consumidores, advém dos corantes. Salsicha é barato e parece ser bom, não é? Nem tanto, além da fabricação que embrulha o estômago, com tudo já em decomposição, o consumo de salsichas pode estar associado a diversos problemas de saúde, o câncer talvez seja o pior deles. Salsicha e outras carnes processadas são tão ruins quanto o cigarro, conforme afirmam as associações médicas. Sabe-se que não é aconselhável consumir regularmente esses alimentos.

Pois então. Na primeira leitura do processo, visualizei um emaranhado de outros processos interligados uns aos outros, como uma teia de aranha, que discutiam o crédito sobre diversos contratos e demais situações. Percebi que, se quisesse derrotar Henrique, seria preciso, antes de tudo, interromper os erros processuais, as perdas de prazos processuais e outras grosserias jurídicas cometidas nos outros processos por meia dúzia de escritórios, que, ao contrário da Dra. Luzia, trabalham como as "fábricas de salsichas". Atente-se bem a essa comparação, porque a condução dos processos por esses escritórios se dá como o processo de fabricação das salsichas, no tempo de Bismarck. Não preciso dizer mais nada.


Assim, veio à minha cabeça a ideia de entrar em contato com a Desalinho S/A para negociar os meus honorários advocatícios e prestar um serviço conjunto sobre a totalidade dos processos, a fim de evitar as sucessivas perdas, que estimei em milhões; aqueles processos foram subestimados por muito tempo, e se transformaram ao longo de todos esses anos em uma avalanche, prestes a acertar em cheio a empresa. Normalmente, os contratos firmados preveem uma cláusula que assegura o rompimento da prestação do serviço em caso de erros, e essa era a oportunidade que a empresa tinha para virar o jogo, mesmo que fosse necessário mudar de técnico durante a partida.

A Desalinho S/A é famosa por se empaturrar de "salsichas" advocatícias, gosta das "fábricas de salsichas". A empresa se acostumou a pagar um preço vil aos escritórios e já calcula como certo uma determinada quantia de dinheiro como prejuízo, a cada balanço, em razão dos péssimos serviços que contrata. Essa lógica pode ser interessante do ponto de vista econômico quando se administra pequenas perdas, uma condenação aqui, outra ali, uma coisa às vezes compensa a outra. Decerto, o problema com Henrique não estava coberto, e o valor que levantei chamou muita atenção, a ponto de se disponibilizarem para uma reunião de emergência, na mesma semana, para tratar do assunto, com toda a corte.

No dia, na hora e no local marcados, estava lá eu, com a papelada que reuni, alguns cálculos, uma proposta e a dor latente, a ferida que não se vê. Passei pela portaria, me cadastrei, fui anunciado e entrei no elevador. O prédio é antigo, e fui recepcionado novamente ao sair do elevador, no andar informado, por uma das funcionárias, com headset na cabeça:

- Doutor, a sala de reuniões é a segunda porta... aguarde um momento [dizia para alguém no telefone ou para mim?], certo, estarei enviando [sic]... segunda porta à direita, Doutor.

Certo, segunda porta... à direita, repeti para mim mesmo, ao alinhar a gravata. Enquanto andava, reparei que as paredes foram pintadas recentemente, embora mal pintadas. Havia fita adesiva se descolando, como serpentinas de carnaval sem cor, marcas de mãos do pintor, restos do pincel grudados na tinta e traços desalinhados na junção da parede com o teto, cujas cores contrastavam entre o branco gelo e o gesso. O adesivo da porta que indicava a função do cômodo, "sala de reuniões", em letras maiúsculas, parecia a Torre de Pisa, na horizontal.

Entrei, enfim, na sala. Estava sozinho. Um forte odor de tinta ainda no ar, misturado ao mau cheiro de filtro velho de ar-condicionado e de carpete. Uma corrente fria circulava na diagonal. A iluminação precária, diferente da do outro ambiente, que era bem iluminado e arejado, criava uma certa nostalgia dos ofícios do Fórum Central. Rapidamente, me acomodei à mesa retangular, e, em segundos, a sala se encheu de gerentes e analistas.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Resultado 11/16 = R$ 301.602,22 (-3,88%)

Uma grande tragédia aconteceu em novembro, o acidente com a aeronave que transportava a delegação da Chapecoense, jornalistas, tripulação e demais convidados do time. O voo com destino a Medellín, Colômbia, na madrugada de terça-feira (29), infelizmente, não chegou ao seu destino.

A Chapecoense estava na final da Copa Sul-Americana e jogaria hoje (30) a partida de ida contra o Atlético Nacional. Presto aqui a minha singela homenagem a todas as vítimas, parentes, amigos e torcedores. Deus os abençoe.


"Bola pra frente".

Neste mês, em vez de acumular a "gordurinha" que desejava, investi um pouco em Tesouro Direto para tentar alcançar a meta que tracei, encerrar o ano acima dos 300k. No próximo, vou reaplicar os proventos.

Curiosamente, em outubro, o patrimônio subiu com retiradas e, neste, caiu com aporte, ainda que simbólico. Não deixa de ser igualmente curioso que, pela primeira vez, a minha carteira de renda fixa obteve rentabilidade negativa.

Segue o resultado de acordo com a planilha fornecida pelo AdP:


Abaixo, a representação gráfica da alocação dos ativos, do comparativo histórico da rentabilidade e do patrimônio mensal:




No sábado, sairá o quinto episódio, o "Season Finale", da primeira temporada das histórias do meu escritório. Brincadeiras à parte, continuarei publicando mais episódios em janeiro, se Deus quiser. Aliás, quero aproveitar a oportunidade para pedir uma grande ajuda a vocês. Por favor, mandem sugestões. Quero saber se é preciso formatá-la melhor (está bem tosco o formato, eu reconheço), ou adaptá-la para que seja lida de maneira mais confortável. Ficaria legal convertê-la em vídeo? Como essa história pode chegar a mais pessoas? É uma história que vale a pena ser lida com mais partes ou com textos mais longos? Devo encerrá-la logo ou continuar?

Se preferir, pode mandar e-mail. Por exemplo, no próximo capítulo, devo revisar o texto para que não contenha erros, como sugerido. Desde já agradeço a todos.


#ForçaChape